Publicado em: ter, maio 23rd, 2017

A árvore da vida: pequenas apreensões

A árvore abarca, em sua imagem, uma imensa riqueza simbólica em diferentes campos do saber e expressões religiosas.

Na psicologia analítica – interesse aqui em destaque – aponta-se sua utilização em avaliações de personalidade na clínica diagnóstica e terapêutica. Todavia, sua maior relevância está em sua diversidade de representações.

Um de seus significados mais comuns é a ideia de regeneração, de cosmo vivo em perpétua evolução. Na verdade, encontra-se também a noção cíclica embutida no movimento cósmico, isto é, morte e regeneração.

A árvore, segundo estudos de Mircea Eliade, faz a conexão entre as três camadas do cosmo, a saber:

1º) o ctônico, subterrâneo, onde suas raízes mergulham em busca das profundezas da terra;

2º) o plano de superfície da terra, onde se desenvolvem seu tronco e galhos inferiores;

3º) as alturas em direção ao céu, onde sua copa e galhos superiores são capturados pela luz emanada.

Na árvore, todos os elementos se encontram envolvidos em sua existência, como também a natureza a circula por toda sua estrutura.

O contato estabelecido entre o céu e a terra é sempre valorizado e traz um sentido de centro, de eixo do mundo. Em várias culturas é assim compreendida, onde a relação entre o visível e o invisível é o caminho de ascensão entre um mundo e outro. Ligados a esse entendimento, encontram-se a escada de Jacó e a cabana dos índios sioux – onde a dança do sol é realizada. Na cultura judaico-cristã entende-se que a árvore é representativa do templo ou da casa e serve também para simbolizar a coluna vertebral, sustentáculo do corpo humano – que é a morada da alma.

Outras culturas, como a linha xiita muçulmana, consideram que a árvore – alimentada de terra e de água – é capaz de ultrapassar a realidade das aparências, encontrando a Unidade Original, onde o humano coincide com Deus.

Os índios pueblos, estudados por Jung, trazem – simplificadamente – o sentido de migração das almas através da árvore, noção também do entendimento de árvore da vida – valorizando todo o ciclo de vida, morte e renascimento contínuo.

A árvore da vida tem também sua analogia na tradição cristã através de vias extremamente marcantes, tais como a árvore da vida da Gênese e a árvore da Nova Aliança, que regenera o homem. O próprio Cristo é representativo do papel de árvore do mundo, de eixo, de escada – trazendo, em si, a compilação de variadas apreensões.

Na concepção hebraica esotérica tem-se a noção do alto para baixo e da importância da luminosidade vinda do Sol. Semelhantes são o folclore islandês e finlandês. Aqui se tem uma árvore invertida. Este entendimento procura cunhar a coexistência cíclica entre o contínuo e o descontínuo, a dualidade e a unidade.

A árvore da vida pode também ser percebida como um símbolo da fertilidade. Esta possui vários caminhos de representação, incluindo a relação entre as árvores, a árvore e a luz, entre o humano e a árvore. A última é uma forma referencial da capacidade de procriação feminina.

O símbolo da árvore é ambivalente. A própria árvore da vida pode ser entendida como o símbolo andrógino inicial. Por outro lado, pode ser símbolo do falo, imagem do pai no sentido arquetípico. Encontra-se também a árvore como matriz dos alquimistas, onde o ouro será encontrado. Jung traz o conceito de hermafroditismo ligado à árvore – mais do que androgenia – através dos estudos míticos. Parece querer significar que existe, de fato, as duas faces unidas e não uma indefinição.

A árvore da vida vem também a simbolizar o crescimento familiar, de um lugar, de um povo. Mais do que isso, corresponde a um poder de um rei, de um mandante. E ela é atual. Pode significar também a morte.  A Cabala fala dessa vertente. Mote a ser explorado…

Não se pode deixar de fora a figura da cruz, que reúne em uma única imagem os significados de morte e de vida contidos na árvore: pela cruz para a luz

Arcabouço de pesquisa para esse assunto, o Dicionário de Símbolos (Chevalier e Gheerbrant, Ed. José Olympio) remonta muitos estudos para os simbolismos acerca do tema exposto. É uma segura fonte de onde foram apreendidos vários entendimentos acerca do tema. Vale a pena conferir!

Artigo escrito por 
Yonne Nasser
CRP:05/10463
Yonne