Publicado em: qua, nov 28th, 2018

A hipnose e câncer

A hipnose e o câncer – Uma pespectiva humanitária para o tratamento

Por ser enfermidade com elevada incidência de óbito, a neoplasia maligna impõe ao paciente e familiares um ambiente de insegurança e incertezas. Há um íntimo e oculto sentimento de finitude que nos momentos mais difíceis espreita a fé e a confiança no tratamento. O bem-estar psicológico do paciente e do seu núcleo familiar é decisivo para prevenir, tratar e lhe dar com os efeitos do diagnóstico do câncer. Alguns fatores podem contribuir para o surgimento da doença, como fatores externos e internos, (INCA 2011).

Com o diagnóstico do câncer e diante da possibilidade da morte o paciente, deve buscar alternativas que assegurem equilíbrio psicológico para enfrentar a angustia e a inevitável dor do tratamento clínico-medicamentoso.  O Psico-oncologista é o profissional que oferece ao paciente e aos familiares o conforto e equilíbrio emocional necessário para o enfretamento da doença. Dentre as ferramentas disponíveis à psico-oncologia, a hipnose ganha relevante destaque por apresentar resultados efetivos ao atenuar, sem efeitos colaterais, as dores físicas e psíquicas resultantes do tratamento. Uma característica da hipnose é a comprovação de seus benefícios, sua eficácia está demonstrada em suas aplicações e utilizações (CAIRE, 2012).

Conforme Caire (2012), a hipnose é um estado alterado de consciência que se predispõe ao aprendizado, contribuindo de forma significativa para o alívio das dores oncológicas. Quando auxiliado pela hipnoterapia, o paciente oncológico encontra conforto e um ressignificado no estar com câncer, compreende as emoções surgidas com doença e que atuam no pensamento de forma a inferir mudanças comportamentais, aliviando as angustias psíquicas e as dores físicas.

A hipnose surge como uma técnica alternativa, contribuindo de forma positiva e eficaz no combate ao câncer, auxiliando o controle da desesperança, da angústia que o estar com câncer causa, no manejo da dor oncológica, amenizando a intensidade e promovendo a compreensão intrapsíquica que acarreta essa doença (CAIRE, 2012).

A técnica da hipnose, contribuí para a qualidade de vida do paciente oncológico, uma interação entre mente e corpo, conectando o paciente com seus recursos interiores, considerando o paciente em sua totalidade (CAIRE, 2012).

O sucesso da hipnoterapia é alcançado através das metas e objetivos que são traçados no início da psicoterapia, com a intenção da ressignificação do olhar do paciente em relação à doença e todas suas demandas de complexidades e significados entrelaçados ao diagnóstico de câncer (CAIRE, 2012).

À medida que o paciente percebe que pode influenciar significativamente em seus aspectos cognitivos e que esta consciência interfere de forma incisiva no seu comportamento, dar-se lugar às ressignificações e ao modo de olhar a doença, em que a esperança começa a ter um lugar na vida do paciente (NEUBEM, 2009).

Conforme Carvalho (2012), aplicar a hipnose contextualizada com o tratamento clínico é prática positiva que produz efeitos benéficos e eficazes. Seus resultados positivos auxiliam na terapia e na recuperação do paciente dentro de uma visão clínica da medicina.

Utilizar hipnose contribui muito no tratamento oncológico, obtendo-se um resultado eficaz, pois ocorre o fortalecimento do sistema imunológico, colabora na diminuição ou extinção dos efeitos colaterais que é imposto pelo tratamento, pois a hipnose atua na mente humana, promovendo uma melhor qualidade de vida ao paciente (PIREDDA; GUIMARÃES, 2009).

Sessões de hipnose oportunizam emersões na construção de novos conceitos quanto à probabilidade da cura, possibilitando visualizar um futuro, isso somente é possível, pois na hipnoterapia o paciente ressignifica a doença e o estar com câncer, sendo esse diagnóstico e conteúdo traumatizante, transformado em palavras que podem ser elaboráveis, sendo o câncer sentido de forma mais amena (CAIRE, 2012).

REFERÊNCIA:
CAIRE, Licia Ferreira.  Hipnose em pacientes oncológicos: um estudo psicossomático em pacientes com câncer de próstata. São Paulo, 2012.

CARVALHO, C. O essencial sobre a hipnose: Teorias, mitos, aplicações clínicas e investigações. Instituto Superior de Psicologia Aplicada – CRL. Rainho & Neves. Lisboa, 2012.
INCA. ABC do câncer: abordagens básicas para o controle do câncer. Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: Inca, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abc_do_cancer.pdf. Acesso em: 22 out 2015.
NEUBEM, Maurício da Silva. Hipnose, dor e subjetividade: Considerações teóricas e clínicas. Maringá, 2009.
PIREDDA, C.M.; GUIMARÃES, F.R. Hipnose em oncologia. Anais do II Congresso Brasileiro de Hipnose Clínica e Hospitalar, 2009.

Artigo publicado na edição 71.
 
Autora:
Psicóloga  Fabíolla de Oliveira
CRP: 20/04772