Publicado em: ter, jun 5th, 2018

A interfaces dos saberes: as contribuições do esporte como pratica complementar da psicologia.

A psicologia enquanto ciência tem como objeto de estudo atitudes, valores, pensamentos, sentimentos e ações seja por uma perspectiva individual ou coletiva. Somos sujeitos ativos e passivos da sociedade que vivemos e a todo momento impactados pelas mudanças sejam elas interiores ou o âmbito coletivo.

Até mesmo nas correntes cuja ênfase da construção da personalidade se concentra nos fatores biológicos como por exemplo Costa e Mac Crae (1981) na teoria do Big Five na qual os traços de personalidade são herdados, há um apontamento do ambiente como um fator de extrema relevância para o desenvolvimento humano.

Considerando tamanha importância, devemos nos atentar que as mudanças no ambiente poderão gerar mudanças significativas para o comportamento humano trazendo para a psicologia a responsabilidade de repensar suas práticas assim como elaborar novas estratégias.

Neste contexto, a equipe interdisciplinar e multidisciplinar tem se revelado como um auxilio de extrema relevância como práticas complementares em psicoterapia. Dentre as especialidades no campo da saúde, a interdisciplinaridade com a atividade física tem apresentado resultados muito expressivos na melhora dos pacientes.

A indicação de atividades físicas por profissionais de saúde tem se constituído como uma prática recomendada pela Organização mundial de saúde desde 2010 para pacientes em razão de estudos que comprovam benefícios não somente para a saúde física como também para a saúde mental.

Benefícios tem sido comprovado no que se refere a melhora nos processos cognitivos, dentre eles, Mello et. Al (2005) revela, que o exercício físico proporciona o aumento de transporte de oxigênio para o cérebro, a síntese e a degradação de neurotransmissores, liberação de serotonina e diminuição da viscosidade sanguínea que contribui para regulação do humor, sono, apetite, e funções executivas. Em estudos com universitários, Silva et.al (2016) revelaram um aumento dos escores de atenção concentrada após a prática da natação.

Apesar de não haver consenso na literatura no que se refere a intensidade e tempo de exercício, percebe-se um aumento de pesquisas que revelam seus benefícios para o manejo da ansiedade, estresse, depressão. Dentre eles destacamos o estudo de Casanova (2009) que revela a incidência da diminuição da ansiedade e estresse pela na liberação de catecolaminas, como serotonina, dopamina e noradrenalina ao praticar exercícios. Atividades aeróbicas, Yoda e hidroginásticas tem apresentado correlações positivas como práticas complementares no tratamento de depressão controle e/ou diminuição da ansiedade e depressão. .

Segundo Silva et.al (2016) a prática de atividade física também proporciona benefícios para socialização entre o indivíduo, por ter revelado um aumento dos escores de habilidades sociais, bem como um eficiente estimulo e reforço da autoestima favorecendo uma avaliação positiva que o o sujeito fará de si mesmo.

Dentre tantos fatores acima apontados um dos que tem sido apontado como uma importante contribuição da prática é o fato da pratica esportiva estar sendo apontada como um fator protetivo do desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e da ideação suicida.

Um dos principais desafios dos profissionais da psicologia é desenvolver ou identificar técnicas que contribuam para manutenção do bem-estar do paciente. Neste contexto a atividade física tem se revelado uma boa pratica auxiliar ou de manutenção de contribuição para psicoterapia.

Referência.

ANDRADE, Talita R. O exercício físico no tratamento da depressão: uma revisão de literatura. 2011. 30f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Educação Física)- Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2011.
ARAÚJO, S. R. C. D., MELLO, M. T. D., & Leite, J. R. (2007). Transtornos de ansiedade e exercício físico. Revista brasileira de psiquiatria. Rev Bras Psiquiatr. 2007;29(2):164-71.
CANÁRIO, A. C. G., Dantas, G. L., & Conceição de Maria, L. N. (2011). Exercício físico resistido crônico promove regulação da pressão arterial e pode influenciar na recuperação da síndrome do pânico: Estudo de caso. RBPFEX-Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, 3(13).
CHEIK, N. C., REIS, I. T., HEREDIA, R. A., de LOURDES VENTUR, M., Tufik, S., antunes, H. K.,& de mello, M. T. (2008). Efeitos do exercício físico e da atividade física na depressão e ansiedade em indivíduos idosos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 11(3), 45-52.
CASANOVA, Adriana Seraphin Veiga. Transtorno do pânico e exercício físico, uma revisão de literatura. 2009. 45f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.
COSTA, P. T., Jr., & McCRAE R. R. (1995). Domains and facets: Hierarchical personality assessment using the Revised NEO Personality Inventory. Journal of Personality Assessment, 64, 21-50.
SILVA.F.G. et al. As contribuições da natação como instrumento de auxilio na psicoterapia. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ ., 2011, Rio de Janeiro. Anais, 2016. p. 30-31.

Autores:
Fernanda Gonçalves da Silva- fernandagoncalves.fgs@gmail.com
Luiz Carlos Bernardino Marçal- profluizmarcal@hotmail.com