Publicado em: seg, out 15th, 2018

Ampliação da terapia on line

A partir do mês que vem o atendimento psicológico on-line não será mais restrito a orientações e não terá limite de sessões. No dia 11 de novembro de 2018, entra em vigor a resolução n° 11/2018, que amplia as possibilidades de oferta de serviços de psicologia mediados por TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação).

“Facilita o acesso das pessoas ao atendimento psicológico, especialmente para aqueles que não podem sair de casa”, aponta a psicóloga clínica Daniele Oliveira Ribeiro
Com a mudança, o profissional da área não precisará mais estar vinculado a um site e caberá a ele definir e estabelecer métodos e técnicas para a prestação de serviços. “É necessário ter um cadastro individual no conselho regional. A partir disso, o profissional receberá um manual e definirá como será feito esse atendimento, isto é, através de qual plataforma”, afirmou a presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP-PR (Conselho Regional de Psicologia no Paraná), Ludiana Cardozo Rodrigues.
Os profissionais poderão optar pelo uso de qualquer ferramenta de comunicação, tendo ou não transmissão de imagem. A nova resolução revoga a CFP n° 11/2012, que limitava o número de sessões on-line e não permitia a psicoterapia.

Eram autorizadas as orientações psicológicas, processos prévios de seleção de pessoal, aplicação de testes regulamentados e atendimento eventual de clientes em trânsito ou que momentaneamente não podem comparecer ao atendimento presencial.

Rodrigues explicou que, com o passar do tempo, dificuldades foram surgindo em termos de fiscalização, “na questão, por exemplo, de saber se esse profissional estava cumprindo somente as 20 sessões e se de fato se tratava apenas de orientação. As sessões já estavam se tornando psicoterapia”, apontou.

Atualmente, há 18.710 psicólogos (as) ativos (as) no Paraná, segundo o CRP-PR. Até o momento, com a resolução de 2012 ainda em vigor, são 861 sites em todo o País com o selo de autorização do CFP para realizar o atendimento on-line, sendo aproximadamente cem deles sob a jurisdição do CRP-PR.

A assessoria de comunicação da entidade no Estado informou que pode haver mais de um profissional atuando em cada site e que, por enquanto, não foi iniciado o cadastramento individual para atuação on-line. O CRP-PR aguarda as diretrizes internas do CFP a respeito dos itens que serão estabelecidos para essa atualização.

Ainda de acordo com Rodrigues, alguns profissionais sinalizam uma resistência à prática sob o entendimento de que a profissão pode ser banalizada. Entretanto, ela destacou que alguns estudos já conferem que a psicoterapia on-line é possível e que pessoas com fobia social, por exemplo, têm grande adesão a esses atendimentos.

“Estamos utilizando um recurso a mais para as pessoas. Essa divulgação não tem como objetivo acabar com o atendimento presencial. A psicologia tem infinitas abordagens e o profissional terá que ter autonomia para identificar se possui capacidade técnica e ética para dar conta desta modalidade”, ressaltou.

Vale lembrar que a resolução mantém algumas situações como a proibição do atendimento de pessoas em situação de emergência, urgência e violação de direitos. Os serviços que envolvem crianças requerem autorização de pais e/ou responsáveis.

ÉTICA
“Com o uso das tecnologias, os psicólogos ficarão mais expostos no sentido do paciente ter a possibilidade de gravar ou printar uma conversa diante de uma situação que considerar antiética”, advertiu Rodrigues.

A psicóloga clínica em Londrina, Daniele Oliveira Ribeiro, que tem como projeto profissional só trabalhar com psicoterapia on-line no próximo ano, disse que a segurança para ambos depende de investimentos em tecnologias.

“Para que o atendimento seja feito dentro do nosso Código de Ética profissional no que diz respeito ao sigilo e à privacidade do ambiente, o profissional terá que investir em recursos, como, por exemplo, aplicativos que são criptografados e que dão maior segurança ao cliente”, apontou.

Para Ribeiro, a mudança na resolução é tida como uma oportunidade tanto para os profissionais quanto para clientes. “Facilita o acesso das pessoas ao atendimento psicológico, especialmente para aqueles que não podem sair de casa, seja porque estão acamados ou por qualquer outra dificuldade de locomoção, [além de] moradores de localidades com poucos recursos em termos de saúde e brasileiros que estão fora do País”, afirmou.

Sobre um possível prejuízo na questão da linguagem corporal nos atendimentos on-line, a psicóloga reforçou a importância do preparo do profissional para atuar nesta modalidade. “Ele terá que buscar formação para manter a mesma qualidade de atendimento, tendo um campo visual limitado. Por isso, esses serviços exigirão muito mais do psicólogo como investigar e perceber outras linguagens no cliente ou paciente”, disse.

Segundo Ribeiro, ainda não há nenhuma especialização na área, mas pesquisas científicas publicadas por profissionais experientes trazem fundamento teórico. “Acho que o psicólogo tem que acompanhar o movimento da sociedade. Hoje, o mundo é tecnológico e cada vez mais as pessoas estão inseridas nesse contexto”, acrescentou.

Fonte:
www.folhadelondrina.com.br