Publicado em: qua, nov 28th, 2018

Benefício do esporte x Paralisia Cerebral

Benefícios psicológicos do esporte para qualidade de vida do portador de paralisia cerebral.

Em países em desenvolvimento como o Brasil, a estatística revela uma prevalência de paralisia cerebral de 7 para cada mil nascido vivos , principalmente em razão da precariedade do serviço publico e da educação que impactam em cuidados precários no Pré natal.

Paralisia Cerebral ou encefalopatia infantil crônica é uma alteração neurológica que se manifesta por sintomas caracterizados por dificuldades no controle postural, por movimentos involuntarios, falta de coordenação motora, causados por alguma anomalia ou lesão cerebral entre o estágio fetal e os 2 anos de idade. Os sintomas aparecem quando a criança começa a desenvolver habilidades motoras dentre eles distúrbio de postura e movimento persistente, estas lesões ou anomalias podem resultar em diferentes tipos e níveis de comprometimento variando de pessoa para pessoa e pode se modificar ao longo do tempo. (Himpens et al, 2008 ;Cans et al, 2007; Scholtes et al. (2006).Os principais comprometimentos físicos são: tônus muscular exacerbado / Rigidez da musculatura, perda de controle muscular seletivo, deficiência das relações de equilíbrio da força do músculo antagonista de uma determinada articulação.  A musculatura dos membros superiores, inferiores e tronco são rígidos e contraídos dificultando a movimentação.

Apesar da grande incidência da patologia no Brasil há pouco investimento em formação profissional e produção cientifica que discutam ou apontem praticas da psicologia ou equipes interdisciplinares promovam qualidade de vida na referida população.

          Segundo Lim e Zebrack (2014) a Qualidade de Vida- QV é um constructo multidimensional, subjetivo, e está relacionado ao bem-estar físico, psicológico, social e espiritual.Atingir a satisfação em todas estas áreas é uma tarefa complexa, e em se tratando de portadores de paralisia cerebral, que por consequência de sua patologia já possui limitações em pelo menos uma dessas áreas, o comprometimento físico, há necessita de estratégias complementares para contribuir para satisfação de vida.

Nestes contextos , o esporte tem se revelado como uma eficaz estratégia , não só por contribuir para motricidade , mas as pesquisas enfatizam sua contribuição expressiva para a saúde mental, por ser um agente de inclusão , melhorar a autoestima e desenvolver habilidades sociais em pacientes saudáveis.

Apesar destes benefícios serem amplamente discutidos para as populações saudáveis e já esta incluído em alguns protocolos de tratamento inclusive, a literatura apresenta poucos estudos em populações portadoras de deficiência, especialmente para com paralisia cerebral (PC), considerada a condição mais frequente de incapacidade motora na infância (FEITOSA, et. AL,2017)

No que se refere a saúde mental , segundo FEITOSA ET. AL (2017) em estudos com PC a capacidade do esporte para promover autonomia, pois os praticantes eram capazes de desenvolver cada um número maior de rotinas diárias o que facilita a interação social e promove o aumento da autoestima . Diante destes dados pode-se inferir que o esporte além de promover um bom condicionamento físico também promove saúde mental.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde destaca a funcionalidade, como um componente importante para saúde e aponta que as intervenções propostas deverão ter o objetivo de contribuir para inclusão e participação social(MURPHY, N. ET.AL  2007; WHO,2010).

Neste contexto, a equipe interdisciplinar e multidisciplinar tem se revelado como um auxilio de extrema relevância como práticas complementares em psicoterapia. Dentre as especialidades no campo da saúde, a interdisciplinaridade com a atividade física tem apresentado resultados muito expressivos na melhora dos pacientes.

Segundo Parreira (2008) os atletas revelam que a percepção do reconhecimento de outras pessoas obtidas pela pratica do esporte aumentam seu nível de confiança e auto estima, além disso a inclusão em uma equipe e o relacionamento com os respectivos técnicos forma citados como fatores que favorecem uma sensação prazerosa e de felicidade.

Percebe-se que as equipes técnicas buscam o auxílio de profissionais da psicologia como ferramentas de aumento do desempenho dos atletas, o que é um outro campo de atuação na psicologia do esporte de extrema relevância, porem seus resultados apontam um ganho ainda mais satisfatório, que é a promoção da qualidade de vida. Diante disto, porque não nos permitir também utilizar o esporte como prática profissional complementar da psicologia. Considerando ser nosso desafio constantemente buscarmos novas práticas que favoreçam o desenvolvimento e a adesão do paciente, os dados apontam que o esporte poderá ser um eficaz aliado.

Referências

1.CASTRO, P. & BELGO, M. Treinamento Postural em atleta com paralisia cerebral para melhora da performance na Petra. Anais do VI Seminário Internacional e X Curso de Capacitação Técnica da Associação Nacional de Desporto para Deficientes.
2.FARIA, R. F.; BORGES, M.; CALEGARI, D.; PICULLI, M.; VIEIRA, I. B.; GORLA, J. I. Intensidade de Esforço da frequencia cardíaca em atletas de Petra. Anais do VI Seminário Internacional e X Curso de Capacitação Técnica da Associação Nacional de Desporto para Deficientes.
3.VAN DER LIDEN, MARIETTA & JAHED, SADAF & TENANT, NICOLA &VERHEUl, MARTINE. (2018). The influence of lower limb impairments on Race Running performance in athletes with hypertonia, ataxia or athetosis. Gait & Posture. 61. 2018.
4.OLIVEIRA, D. C. & CAVALCANTE, A. L. Projeto Race Running na perspectiva de um novo olhar para pessoas com paralisia cerebral. Anais do VI Seminário Internacional e X Curso de Capacitação Técnica da Associação Nacional de Desporto paraolímpica.
5.Parreiras L. A; Samulski D. Análise dos fatores que influenciam a qualidade de vida de atletas paraolímpicos em ambientes de treino e competição. Dissertação de Mestrado Universidade Federal de Minas Gerais– 2008.

Artigo publicado na edição 71.

Autores: 
Psicóloga Fernanda Gonçalves da Silva _ CRP: 05/30750
Educador Físico Luiz Carlos Bernardino Marçal _ G/RJ 024973