Publicado em: qua, fev 13th, 2019

Cães e Psicologia

Há quem diga que são temas totalmente distantes um do outro. Mas, não são tanto assim. Se hoje seu cãozinho consegue aprender coisas fascinantes com algumas recompensas ou correções é graças a estudiosos da psicologia. Como o chamado ‘behaviorismo’ (ou estudo do comportamento) que é um segmento da psicologia baseado em estímulos que justifica bastante as respostas dos nossos dogs aos treinamentos que fazemos com eles.
Qual é a primeira coisa que você faz se seu cachorro faz xixi no lugar certo?
Você o elogia, certo? E se ele fizer no lugar errado?
Nossa resposta quase que automática é a raiva, a frustração e, consequentemente, a punição. A voz engrossa, o olhar ficar mais duro e o ‘Não!’ sai firme e forte. Tudo isso o cão sente e é perceptível o semblante de confusão no pet.
Porém, imagine há muito tempo atrás, quando as pessoas não sabiam como controlar esse comportamento. Hoje, com os adestradores e as técnicas espalhadas por vídeos de youtube e instagram, nós sabemos bem como lidar com essas situações. Por isso que, em tempos mais remotos, não era difícil ver a agressão aos cães como parte da “educação” aos bichos. Não existia relação nenhuma com cães e psicologia mesmo!

Behaviorismo
Nossa noção de elogiar quando certo e repreender quando errado vem de um princípio psicológico chamado ‘Behaviorismo’ ou estudo do comportamento (behavior é comportamento em inglês).  O conhecido “pai” do behaviorismo é John B. Watson, psicólogo dos Estados Unidos que escreveu o manifesto “A Psicologia como um comportamentista a vê” em 1913.
No documento, Watson defendia a ideia do foco no comportamento dos seres expostos a estímulos, e não processos internos da mente, como estudo da psicologia. Este viés começou a se popularizar e a perpetuar uma série de experimentos em que o objetivo era observar o comportamento e as reações diante de uma determinada situação e não somente o que poderia se passar na mente do indivíduo.
Desta forma, poderia se estudar, na prática, como o ser reage quando exposto a diversos tipos de situações que o expõe a circunstâncias diferentes como: perigo, euforia, fome, ansiedade, alegria, angústia, etc. Além disso, descobriria o que possivelmente poderia ser feito para diagnosticar e, até mesmo, evitar ou incitar estes comportamentos.

O cão de Pavlov
Ok, mas aonde os cães e psicologia se encaixam aí?
Para testar a teoria de Watson, um outro profissional – um médico – chamado Ivan Pavlov, fez um estudo com cães. A ideia era simples e muitos irão identificar de cara o que Pavlov fez naquela época com o que fazemos ainda hoje (só que com outro propósito): antes de colocar comida para os cães, ele tocava uma espécie de sino. Logo em seguida, dava-lhes comida.

Cachorros Filhotes
O experimento envolvia a hora da alimentação dos cães
Desta forma, depois de algumas vezes fazendo a mesma rotina, ao tocar o sino, os cães já começavam a salivar e a ansiar pela comida antes mesmo que ela chegasse até eles. Ou seja, começaram a associar o barulho do sino à comida e, “instantaneamente”, salivavam em demasia, ansiando por ela.

Pavlov no nosso dia a dia
Identificaram essa experiência com alguma coisa do nosso dia a dia? Conseguem correlacionar os cães e psicologia agora?
Quem nunca passou pela engraçada situação de pegar a coleira ou mencionar a palavra “passear” ou “rua” e observar seu cão erguer as orelhas, correr, pular ou fazer qualquer outro movimento de ansiedade para ir passear?

Cachorros Filhotes
Só de mencionar algumas palavras, nossos cães já ficam animados
Ou até mesmo pegou a cumbuca de comida e observou o pet salivar, latir ou até girar ao redor de si próprio?
Tudo isso pode ser provado pelo behaviorismo. Um comportamento que é fruto de um estímulo, de um condicionamento, de um hábito. Da mesma forma, uma repreensão pode condicioná-lo a não repetir o comportamento (porém, cuidado com as punições. O ideal é que sejam direcionadas e guiadas por um profissional).  Por isso que os estudos do behaviorismo colocaram na mesma equação cães e psicologia.

O impacto para os humanos
Porém, Pavlov, através de seu experimento, contribuiu muito com a linha behaviorista, pois, foi através deste estudo, que os psicólogos desta área puderam estudar melhor nossas reações quando estamos expostos aos estímulos externos.

Ele provou que, além dos nossos reflexos naturais – aqueles que nascem conosco, como quando ficamos de frente com um leão por exemplo, nossos músculos retesam, nosso coração acelera, e nosso corpo fica pronto para uma situação de ação – temos também os reflexos que podem ser criados.

E isso teve impacto em várias coisas, inclusive na publicidade e na indústria cinematográfica. Se uma trilha sonora te instiga com um som de perigo, a tendência é que você fique tenso antes mesmo que algo aconteça na sua frente, não é? Behaviorismo puro.

O impacto para os cães
Uma vez já sabendo do que se trata essa linha da psicologia, fica mais fácil identifica-la no adestramento de cães agora. O estímulo positivo é algo que não falha com os cães. Ao descobrir o ‘drive’ do cão (ou seja, aquilo que mais o estimula, sendo um brinquedo ou um petisco), utilizá-lo como recompensa para os comportamentos corretos é a chave para o sucesso.

Porém, é claro que um adestrador profissional sabe lidar com as técnicas da forma mais precisa possível. Além disso, os profissionais são capacitados para saber o quê e quando exatamente presentear o cão com a recompensa ou quando repreendê-los. O timing (a hora certa) para exercer as técnicas, neste caso, também é fundamental e, se perdido, pode reverter tudo à estaca zero.

Dicas para conviver com um cão cego.
Cuidar do cão é uma atividade levada com carinho e cuidado por muitos donos de pets. Dar atenção, amor e disciplina requer tempo, dedicação e muitas vezes até dinheiro por parte da família. Isso se multiplica quando se trata de cães com necessidades especiais – porém, o amor também vem em dobro! Com a criatividade e empenho, cuidar de um cão cego, por exemplo, pode ser tornar algo tranquilo e prático de se fazer.
Os motivos para um cão ficar cego podem ser vários. Alguns já podem ter desenvolvido desde jovens como consequência de alguma doença ou vírus (doença do carrapato ou glaucoma) ou com a velhice (assim como os seres humanos, é normal que os cães comecem a perder os sentidos à medida que envelheçam. Algumas das causas é a catarata canina ou a degeneração de retina).
Lembre-se: o sentido mais importante do cão é o olfato!
Muitas pessoas sentem pena dos cães cegos e outras até sentenciam à morte cães com dificuldades visuais. Porém, esquecem de uma observação fundamental: o principal sentido dos cachorros é o olfato. É o primeiro sentido que se desenvolve no cachorro e último que “morre” no animal. Os cheiros são muito mais aguçados para os cães, tanto que algumas raças são especializadas e se tornam farejadores profissionais, ajudando a salvar vidas!
Desta forma, é possível concluir que a visão não é o sentido que irá condenar o cão a uma vida miserável e triste. Ele pode ter uma vida saudável e alegre, independente de enxergar ou não. Por isso, vamos dar algumas dicas para facilitar o dia a dia de quem convive – ou pode estar pensando em conviver – com um cãozinho cego.
Vamos a elas:

01) Deixe tudo como está!
Descobriu que seu cão está ficando cego recentemente ou já convive com um? Não mude as coisas de lugar! Mudar a posição de móveis e caminhos pode deixa-lo confuso. O ideal é que ele “decore” os trajetos e caminhe tranquilamente e com segurança pelo ambiente.
Aliás, principalmente: não mude de posição da caminha e dos potes de água e de comida! Mesmo sendo guiado pelo cheiro, geraria uma confusão imensa para um cão que já está acostumado com o local de comer e beber no mesmo lugar.

02) Avise a pessoas que você tem um cão cego
Um cão cego pode – e com razão – se tornar um pouco mais desconfiado com as coisas ao seu redor. Portanto, aproximar-se dele sem cautela e abordá-lo de qualquer maneira, pode causar um susto ou situações desagradáveis para o cãozinho.
Quando for passear, se possível, coloque um colete ou coleira de aviso “Sou um cãozinho cego” ou algo similar. É um recadinho que adverte, sem ser rude. (O  aviso vale para as visitas da sua casa).

03) Encoraje-o, porém, não tenha pena
É importante encorajar o cão nos momentos em que ele estiver no caminho certo ou quando ele estiver se sentindo seguro para brincar e se divertir. Porém, encorajar é diferente de mimar ou ter pena. Um cão com dificuldades físicas que seja muito paparicado pode se tornar inseguro em demasia e não conseguir se desenvolver apropriadamente.
Imagine a seguinte situação: você tem pena do seu cão que recentemente ficou cego. Por isso, dá comida na boca dele todos os dias. Porém, um dia você tem uma emergência no trabalho que não pode faltar de jeito nenhum e ninguém pode dar a comida para o seu pet. Você deixa o pote de comida no lugar certo, porém, o cachorro não sabe onde ele fica e, pior! Não quer mais comer sozinho, pois, ele se acostumou a você dando na boca dele.
Mal acostumar um cão por pena é muito ruim. Torna-lo independente é o maior gesto de carinho que você pode fazer por ele.

04) Adeque o ambiente
Não mudar as coisas de lugar é importante, porém, adequar os ambientes é fundamental. Se os seus móveis possuem muitas quinas, pontas ou são extremamente frágeis e de materiais cortantes, evite deixa-los a mostra ou cobra suas quinas com materiais de proteção (as proteções utilizadas para bebês funcionam bem).
Se o ambiente possuir escadas, considere colocar um portãozinho de segurança (para bebês também). Desta forma, você poderá supervisionar sempre que o seu pet quiser descer ou subir. Além disso, antiderrapantes também são uma boa pedida para ajudar no deslocamento do cão.

05) Curta seu cãozinho!
Divirta-se com ele! Compre brinquedos que façam barulhos e incentive o olfato e audição. Petiscos e sininhos podem ser auxílios nestes momentos e te ajudam a treinar ainda mais seu pet. Desta forma, ele se sente mais um na matilha de forma natural e se adequa tranquilamente à rotina.
Um cão cego pode ser divertir como qualquer outro.
Curta seu pet!

Fonte:
www.portaldodog.com.br