Publicado em: dom, nov 4th, 2018

O Blá, blá , blá

Uma mulher vive intensamente em busca de suas plenas satisfações biológicas, antes de desembarcar totalmente de sua vida a personagem conta sua saga ao viver o conflito entre o biológico e o social.
Texto: Eugênio Soares e  Mirian Panzer
Direção: José Sisneiros
Sonoplastia: Luca Sacor
Iluminação: Pablo Rodrigues
Duração: 50 min
Classificação: 14
Conchas Produções Artísticas
“A VIDA que Pulsa” – Por Mirian Panzer
Estamos vivendo momentos de intenso descontrole, em toda parte do mundo as pessoas estão chegando ao extremo por não suportar uma realidade a elas imposta, Nossa vida é decidida por leis, politicas, regras, conceitos que favorecem uma minoria, com isso vemos o aumento da desigualdade social, do preconceito, a falta de oportunidades e o assustador aumento da criminalidade. Porém essa insatisfação não diz respeito apenas ao fator social, é algo infinitamente maior, ela fala de nossas necessidades quanto SER (humano) BIOPSICOSOCIAL, que por natureza desejante, constituído em relações e que entram em conflito consigo mesmo.
E nesse momento onde as coisas parecem tão superficiais, a busca pelo prazer se intensifica e buscamos as paixões violentas os momentos arrebatadores, como se fossem a última gota do perfume; nós mergulhamos tão profundamente nesse universo que quando retornamos à superfície, as coisas parecem não fazer mais sentido, e aí queremos mais e mais… “Prazer”. Porém, quanto mais raros são estes momentos, mais caros eles também se tornam; chegando muitas vezes a custar lhes a própria vida. E parece impossível equilibrar a natureza (Bio) e o bem comum. (Social) gerando assim o conflito (psico).
A questão parece sempre ser: Ou satisfazemos nosso desejo ou aprendemos a “conviver nessa superfície” Como equilibrar aquilo que desejamos e aquilo que a sociedade espera de nós?
Mas o que desejamos?
O que buscamos?
Estamos todos a beira de um suicídio Moral ou Real. Como forma de fuga dessa realidade não nos damos conta que a vida acontece a cada momento; ela pulsa, vibra, sangra, nossa subjetividade nunca está suspensa totalmente, uma conversa de bar, uma noite na boate não é só uma distração.
É você. É toda sua complexidade quanto SER humano, “uma coisa leva outra, e outra e a outra”.
Não negligencie seus momentos, pois este “BLÁ BLÁ BLÁ” que vivemos é a VIDA acontecendo com toda sua intensidade, e o que buscamos entender é superficial demais se não nos dermos conta de que vivemos fugindo, fingindo para “conviver”
Esse “Blábláblá do amor”, na verdade o que queremos mesmo é ser amados e não suportamos a ideia de solidão, nosso medo maior talvez seja este . Nascemos para o AMOR, somos carentes e necessitamos de afeto, se nem isso conseguimos admitir…A grande busca do ser humano talvez devesse ser por esse equilíbrio: Não deixar de viver seus desejos nem vive los em sua extrema força; isso também é Criativo.
Não nascemos para inércia, somos seres pulsantes…Não desista de você, a morte enquanto vida também é suicídio.