Publicado em: qua, nov 21st, 2018

Obesidade x Depressão

Estudo sugere haver ligação genética entre obesidade e depressão.
Segundo pesquisadores, estar acima do peso pode causar depressão, com grandes efeitos psicológicos.

Cientistas dizem ter encontrado variantes genéticas ligadas ao índice de massa corporal (IMC), levando à depressão com um efeito mais forte nas mulheres, do que com os homens. De acordo com essa pesquisa, o efeito pode estar relacionado a fatores como a imagem corporal.

“As pessoas que têm excesso de peso são mais deprimidas, e isso provavelmente é um efeito causal da depressão do IMC”, disse o professor Tim Frayling, co-autor do estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter.

Pesquisadores da International Journal of Epidemilogy, do Reino Unido e Austrália, realizaram uma pesquisa com 500.000 participantes, com idades entre 37 e 73 anos, em outubro de 2006. Analisaram que 73 variantes genéticas ligadas ao alto IMC estão associadas a um maior risco de doenças como diabetes e doenças cardíacas. 14 variantes genéticas foram ligadas a uma alta porcentagem de gordura corporal, mas estavam associadas a menores riscos. Enquanto o primeiro grupo analisado poderia ter depressão devido ao mecanismo biológico, foi estimado que um dos grupos tivesse um efeito psicológico.

Analisando os dados dos participantes, foram reveladas diversas respostas em uma série de questionários. A equipe identificou que 49.000 participantes estavam convictos de terem depressão. No geral, a equipe descobriu que as pessoas com um IMC mais alto tinham maior probabilidade de estarem deprimidas.

Também foi descoberto que quem é predisposto a ter um alto IMC, desenvolve a depressão com mais facilidade. Em testes adicionais, os resultados permaneceram os mesmos, até com a exclusão de indivíduos com histórico familiar de depressão.

Focando nas 73 variantes genéticas e também atribuindo fatores com idade e sexo, foi descoberto que para cada aumento de 4,7 pontos no IMC, a probabilidade de entrar em depressão aumenta em 18% no geral e 23% em mulheres.
Reunindo dados de diferentes, os pesquisadores descobriram que as 14 variantes genéticas que aumentam a gordura corporal, não estão ligadas à má saúde metabólica, mas estavam ligadas a uma maior chance de ter depressão.

“Isso sugere que o componente psicológico é tão forte quanto qualquer componente fisiológico, se [o último] existir”, disse Frayling, sugerindo que a má imagem do corpo pode ser um mecanismo em jogo.

O estudo tem algumas limitações: foi realizado principalmente indivíduos com ascendência europeia.
Embora o estudo não mostre que o ganho de peso por outras razões aumentaria o risco de depressão, Frayling disse que era provável. “Isso permite inferir que efeitos maiores no IMC teriam maiores efeitos sobre a depressão”, disse ele.
Naveed Sattar, professor de medicina metabólica da Universidade de Glasgow, abraçou a pesquisa. “Essas novas descobertas são talvez as mais fortes até agora para sugerir que pesos altos podem realmente contribuir para a depressão”, disse ele. “É claro, muitos outros fatores podem causar depressão, mas, mesmo assim, a perda de peso pode ser útil para melhorar a saúde mental em alguns indivíduos”.

Fonte:
http://opiniaoenoticia.com.br