Publicado em: seg, ago 20th, 2018

Os jargões da psicologia e da psicanálise

Os psicólogos e psicanalistas usam termos como ‘neurose’ e ‘dupla personalidade’, às vezes com um sentido equivocado ou desatualizado
A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais, o comportamento do ser humano e suas interações com um ambiente físico e social. Como aborda, de certa forma, o cotidiano da vida de uma pessoa, muitos se julgam especialistas no assunto, mesmo que nunca tenham lido um livro de psicologia.

Os psicólogos e psicanalistas usam termos como “neurose” e “dupla personalidade”, às vezes com um sentido equivocado ou desatualizado. Portanto, a seguir, há uma pequena descrição de alguns dos termos mais usados no jargão psicanalítico, que podem resultar em interpretações ambíguas.

1. Tipo de personalidade
A ideia de que as pessoas têm tipos de personalidade, como sabores de uma marca de sorvete, origina-se da Grécia antiga. Existem pessoas introvertidas, extrovertidas, narcisistas e com personalidade tipo A. A consciência é a única característica que todas compartilham em maior ou menor grau.

Mas as pessoas não podem ser classificadas em categorias. Muitas vezes falta consistência nas ideias, opiniões, atitudes. A personalidade evolui ao longo da vida à medida que as pessoas se adaptam aos acontecimentos e à convivência com seus semelhantes.

2. Psicose
O serial killer é um personagem comum do cinema e até mesmo alguns bons dicionários o classificam de psicopata. Mas, para psicólogos e psicanalistas, o psicótico não é alguém perigoso, que espreita suas vítimas para matá-las.

A psicose é um transtorno mental caracterizado pela dissociação da ação e do pensamento, com delírios auditivos, crenças bizarras e fala confusa.

3. Histeria
Os antigos gregos acreditavam que o útero (hystera, em grego) percorria o corpo e pressionava outros órgãos, causando “histeria”. Na época vitoriana, o neurologista francês Jean-Martin Charcot desenvolveu o conceito de histeria, como uma doença mental na qual os conflitos psíquicos se expressavam em sintomas físicos e que podia ser curada com hipnose.

A associação da histeria a um fenômeno psíquico peculiar às mulheres tem uma conotação pejorativa. A ideia que as mulheres têm mais predisposição a um desequilíbrio emocional é um pressuposto sem nenhuma base científica.

4. Dupla personalidade
Os roteiristas adoram o conceito de “dupla personalidade”, a ideia de que uma pessoa pode conviver com personalidades tão díspares como Jekyll e Hyde (“O Médico e o Monstro”). É claro, as pessoas têm mudanças de humor. Em alguns casos, essas mudanças são tão bruscas e constantes que causam angústia e dão a sensação de dupla personalidade. Ou seja, uma atividade psíquica anormal em que se manifestam, em períodos distintos, duas personalidades diferentes.

Em geral, esse distúrbio psíquico é consequência de experiências traumáticas na infância, que dificultam a compreensão das emoções. Um trauma infantil pode ocasionar problemas para o resto da vida, mas os personagens Jekyll e Hyde são pura ficção.

5. Neurose
O termo neurose foi criado pelo médico escocês William Cullen em 1787 para indicar “desordens de sentidos e movimentos causadas pelo sistema nervoso”.

Hoje, a neurose refere-se a conflitos psíquicos que causam tensão, ansiedade e depressão, mas que não interferem no pensamento racional da pessoa, ao contrário da psicose.

6. Lavagem cerebral
As histórias de lavagem cerebral associam-se muitas vezes a tragédias como a de Jonestown, onde centenas de seguidores do líder do culto, Jim Jones, suicidaram-se a seu pedido. Atualmente, também se refere a casos de radicalização de jovens, que se unem a grupos terroristas.

Na verdade, a lavagem cerebral é um método de persuasão que enfraquece a identidade e a resistência psicológica de uma pessoa, para que renuncie a suas convicções, atitudes etc. e adote as que lhe são impostas.

As pessoas são vulneráveis ​​à propaganda, à influência de líderes carismáticos e à pressão dos amigos. Um fato comum que faz parte da vida cotidiana dos seres humanos.

Fonte:

http://opiniaoenoticia.com.br/