Publicado em: qua, ago 15th, 2018

Os rótulos nossos de cada dia!

O ser humano sempre necessitou de rótulos, como por exemplo, para a identificação de produtos no supermercado. Os rótulos são necessários para informar ao consumidor o que ele pretende comprar. O nome do produto, os ingredientes que o compõem bem como sua procedência. Oferecem segurança (ou pelo menos deveriam), ao cidadão, mas também apresentam subliminarmente a que classe social está destinada acessando-a através de apelos psicológicos que o levam a identificar-se  inserido dentro de um grupo social.  E assim ocorre não só com produtos, mas com as pessoas e suas relações.

Como vocês sabem, não sou profissional de marketing e nem mesmo entendo de vendas, mas gostaria de abordar um tema que há tempos vem me incomodando: a necessidade cada vez mais intensa de rotulação social.  Rotulação social de tudo e de todos. Rotulação que vende!  Rotulação que  muitas vezes apenas muda a roupagem, mas o produto continua o mesmo.  Rotulação que se apodera de campos do saber alheios jogando para escanteio a ética necessária às profissões e ao aprofundamento do conhecimento e exercício profissional competente. Rotulação que se mostra como algo moderno, contemporâneo, mas que nada mais é que um fatiamento do ser humano. Para vender. Aparecer. Conseguir curtidas. Seguidores. Acredito que serei criticada por minhas palavras e talvez esta seja uma limitação pessoal minha.

Como assim, temos agora subdivisões, de subdivisões? Um paciente me relatou que agora temos pessoas que são 70% heterossexuais e 30% homossexuais; ou ainda 80% homossexuais e 20% heterossexuais.  Pessoas que são assexuadas e dentro desta classificação apresentam-se inúmeras subdivisões (das quais sinceramente não me lembro, e nem fiz questão de guardar).

A própria psicologia tem agora um sem número de técnicas com nomes maravilhosos, quase mirabolantes prometendo o céu para aqueles que a elas se submetam. E abre espaço para profissionais sem a formação adequada atrapalharem a vida de quem precisa de ajuda.

O judiciário que de tempos em tempo surge com procedimentos fantásticos, em suas fórmulas aparentemente mágicas geram uma corrida insana pelos profissionais em busca de um lugar ao sol. E ao final esvaziam-se os procedimentos mágicos e o vazio fica.

Desculpem se o tom deste texto soa pesado, mas para além do peso tudo isto me cansa. Cansa por não ser genuíno. Cansa por não ser simples. Pessoas não são percentuais precisando de curtidas.  Apoio psicológico, jurídico ou social não precisa de mágica e de relações competitivas.  Pessoas precisam de respeito independente do sexo, cor e idade.  Técnicas são vazias se apenas são técnicas, que perdem o foco da relação humana já que viraram apenas marketing. Enfim, sabe-se lá aonde isto tudo vai parar.  Então resolvi sair de férias!

Autora: Psicóloga Andréa Calçada
CRP : 05/18785