Publicado em: qua, out 18th, 2017

Premiado kit para diagnosticar depressão através de análise do sangue

Analisando um conjunto de biomarcadores moleculares específicos.

Uma equipe do Instituto de Inovação em Saúde (i3S)  desenvolveu um kit para permitir diagnosticar e melhorar a monitorização da depressão através de uma análise ao sangue, e venceu o BfK Ideas 2017.

Num comunicado de imprensa divulgado esta terça-feira, o i3S explica que BfK Ideas 2017 é uma iniciativa do Programa Born From Knowledge (BfK) de valorização do conhecimento científico e tecnológico, promovido pelo Ministério da Ciência através da Agência Nacional de Inovação, para dar visibilidade ao impacto econômico e social do investimento em investigação científica.

O kit desenvolvido por uma equipe de três investigadoras do i3S (Maria Inês Almeida, Susana Santos e Inês Alencastre) e dois elementos da Unidade de Transferência de Tecnologia do i3S (Sofia Esteves e Bárbara Macedo). E resultou ainda de uma colaboração entre o i3S e uma equipe de médicos psiquiatras da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Tendo em conta que o diagnóstico da depressão é atualmente baseado em entrevistas clínicas e não existem testes complementares de diagnóstico, que possam ser aplicados como rotina na clínica, a equipe apresentou uma ideia de negócio baseada num kit destinado a diagnosticar a depressão através de uma análise ao sangue.

A ideia tem sido desenvolvida no âmbito de uma colaboração entre o grupo do i3S, liderado por Mário Barbosa, e uma equipe de médicos psiquiatras da FMUP, liderada por Rui Coelho. Financiado pelo programa Norte 2020, este projeto, que se chama MyRNA Diagnostics, conta com a colaboração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

“ Os prestadores de cuidados de saúde mental sentem necessidade de utilização de métodos sensíveis e específicos para melhorar a percentagem de pacientes com depressão (superior a 300 milhões em todo o mundo) que recebem tratamento eficaz (inferir a 50%)”, sublinha a equipe.

O kit, segundo os investigadores, “detecta e quantifica um painel específico de biomarcadores moleculares numa amostra de sangue, o que permite um diagnóstico quantitativo e uma melhor monitorização da doença”. “Os resultados do nosso produto são analisados por um algoritmo e serão fornecidos dentro de 24 a 48 horas após a colheita de sangue. A solução permite aos clínicos basear a suas decisões terapêuticas num teste biológico quantificável, diminuindo a prescrição excessiva, melhorando a precisão do diagnóstico e permitindo a monitorização da doença durante a terapêutica”, explicam os investigadores.

Para a equipe, o fato do projeto ter sido distinguido com o primeiro prêmio do BfK Ideas 2017 significa “um apoio crucial nesta fase do processo para fazer chegar este produto até ao mercado e até aos que mais precisam, que são os pacientes”. “Este prêmio é um incentivo para continuarmos a trabalhar nesta ideia com toda a convicção de que faremos a diferença para os clínicos e para os doentes que sofrem de depressão”, sublinham ainda. “Permitirá sem dúvida o arranque do projeto através dos serviços especializados de consultoria e propriedade intelectual. ”

Para além do acesso a um programa de aceleração em ciência e tecnologia, os vencedores do concurso BfK Ideas 2017 irão usufruir do serviço de diagnóstico de propriedade industrial ao projeto, com o apoio da empresa Patentree, dedicada a questões de propriedade intelectual. O primeiro classificado deste prêmio terá ainda acesso a serviços de consultoria especializada e depósito de um pedido provisório de patente nacional.

Fonte:
www.publico.pt