Publicado em: ter, ago 28th, 2018

Quando o adulto deixa de lado a infância e a adolescência

Quando crianças, somos bombardeados pela dinâmica de nossas famílias. Somos muito influenciados não apenas por ela, mas pelos ambientes onde frequentamos. Quando crianças, tudo é muito grandioso.

Já na adolescência, buscamos ser autênticos e por isso, os adultos muitas vezes nos veem como “rebeldes”. É uma fase em que buscamos a nossa verdade, muito embora isso nem sempre é 100% conquistado.

Tal busca se perde até chegarmos na fase adulta. E aqueles que trabalharam desde cedo, tinham sua criança e seu adolescente interior também, embora talvez não tenham expressado como poderiam. Ainda há esperança, há sim.

Passam-se os anos e, tanto infância quanto adolescência se perdem no tempo, dando espaço a rotinas e atividades laborais ou de fuga da realidade (muita TV, alimentos gordurosos e outros hábitos em excesso). Percebe-se algo errado em dado momento. Falta algo. Percebe que não foi conquistada a tal da autenticidade. Foi só buscas e ilusão. Foram esquecidas as tentativas frustradas do passado ou pequenas vitórias e você se contentou com o pouco do dia a dia, a migalha que é viver uma vida sem muito sentido e com muito automatismo.

Infelizmente, isso é o que mais vejo no consultório: muito esquecimento, muitas frustrações e poucas alegrias. Isso decorre dessa desconexão entre o adulto, a criança e o adolescente que há dentro de cada um de nós. A criança e o adolescente dessas pessoas? Esses já não aparecem mais e, cá para nós, leitor, isso é uma pena.

É uma pena porque há pistas na infância e na adolescência do tal “eu” que, após anos de frustração vencida, resolvemos buscar e (re)descobrir nos consultórios de psicoterapia, análise ou seja qual terapia você quiser frequentar.

Adormecidos, criança e adolescente não foram rompidos definitivamente. Isso não seria possível, ainda que possam estar em um sono muito profundo. E então, apenas aguardam o seu chamado. Quando finalmente acordados, eles resolvem brincar, voar, se rebelar com a realidade. E éis que há mais energia e vitalidade, e também, uma novidade: um novo adulto mediando, e não um cuidador. É com você agora. É você quem detém a responsabilidade por mais essas duas figuras internas.

Com o decorrer do tempo, há o rompimento com a dinâmica dos pais ou cuidadores. E, se não, isso é trabalhado em conjunto com o terapeuta. Quando você dá por si, percebe que já voltou à vida, por assim dizer, pois há autenticidade recobrada. E você compreende que a integração agora é o caminho da sua verdade. Sem se negar, se excluir ou desaprovar. Mas sim, aceitar, perdoar e amar o que foi seu e ainda é seu. Agradecer ao que foi útil no passado, o que lhe ensinou e deixar por lá o que já não serve mais. Agora é só essência.
Viva!!!

Artigo escrito por:
Psicóloga Aline Saramago T. de A. Sahione
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