Publicado em: sex, jan 12th, 2018

‘Robô psicólogo’ troca medos no cérebro por memória positiva

Cientistas criam algoritmos que descobrem onde traumas se escondem.

Londres, Reino Unido. Pesquisadores desenvolveram uma técnica de terapia em que uma espécie de “robô psicólogo” encontra a memória traumática no cérebro do paciente e troca o medo por uma experiência positiva. Um grupo de cientistas dos Estados Unidos, Inglaterra e Japão usou a inteligência artificial de algoritmos de computador para descobrir onde memórias relacionadas a traumas se escondem no cérebro e trocá-las por memórias de recompensas positivas.

A equipe liderada por Ai Koizumi, da Universidade de Kyoto e Osaka, no Japão, desenvolveu um método para ler e identificar uma memória de medo usando uma tecnologia que decodifica as respostas neurológicas – Decoded Neurofeedback. A técnica foi publicada na revista “Nature Human Behavior” e poderá ser aplicada no futuro no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático.

No tratamento desenvolvido, uma varredura cerebral mostra na tela do computador padrões complexos de atividade do cérebro ligados a memórias traumáticas. Em sessões regulares, os pacientes recebem estímulos positivos toda vez que a memória negativa era ativada. Como essas memórias são ativadas de forma inconsciente pelo indivíduo, ele não precisaria rememorar o trauma, como ocorre normalmente em uma sessão de terapia convencional.

Pouco a pouco, a experiência de medo é trocada pela memória da recompensa positiva.

Prática. Em um experimento realizado pelos cientistas, uma memória do medo foi criada em 17 voluntários que levaram um choque elétrico breve toda vez que viram uma determinada imagem no computador. “O desafio, então, era encontrar uma maneira de reduzir ou remover a memória medo sem evocá-lo conscientemente”, conta Ben Seymour, pesquisador da Universidade de Cambridge.

A equipe percebeu que mesmo quando os voluntários estavam simplesmente descansando, o padrão de atividade cerebral relacionado à memória específica do medo era ativado. Isso sem eles estarem conscientes dessa memória. Assim, decidiram dar aos indivíduos uma recompensa toda vez que essa atividade surgisse.

O presente escolhido foi uma pequena quantia em dinheiro. Ao receberem o “pagamento”, os voluntários eram informados de que a recompensa financeira dependia da atividade cerebral. Mas eles não sabiam que atividade era essa. O procedimento foi repetido durante três dias, e ao fim da série, a memória do medo já não aparecia mais na varredura de atividade cerebral.

Função. Segundo Ai Koizumi, as características da memória, previamente ajustadas para prever o choque, foram reprogramadas para prever algo positivo no lugar.

Ideias futuras

Planos. Embora o tamanho da amostra neste estudo tenha sido relativamente pequeno, os resultados animam os cientistas para futuros tratamentos do trauma.

Efeito. “Surpreendentemente, (após o tratamento) não conseguíamos mais ver a resposta típica de medo, nem identificar atividade intensificada na amígdala (do centro de medo do cérebro)”, explicou Koizumi.

Fonte:
www.otempo.com.br