Publicado em: qui, jan 18th, 2018

Super Nanny

A psicóloga que é apenas mediadora, a mãe perdida e a criança que faz birra e é castigada na TV.
Para seu bem?

Logo na primeira emissão, “Super Nanny” acendeu a opinião pública. Em poucas horas, várias organizações de defesa das crianças condenaram a exposição a que os menores estão ali sujeitos. O Expresso falou com dois especialistas sobre as consequências e o impacto nestes da participação num programa deste teor

LUCIANA LEIDERFARB
Desde que “Super Nanny” estreou na SIC, domingo à noite, no horário nobre, que não se fala de outra coisa. A primeira a reagir foi a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, que considerou existir “elevado risco” de o ‘reality show’ violar os direitos das crianças. Depois veio a Ordem dos Psicólogos, pela voz do presidente da Comissão de Ética, Miguel Ricou, recordando que a Ordem emitiu, há dois anos, um parecer negativo à produtora do programa, e condenando “a prática de psicologia em programas de divulgação massiva, bem como a conivência do psicólogo na exposição pública das pessoas”.

A seguir, o Instituto de Apoio à Criança e a Unicef repudiaram o formato, já transmitido numa vintena de países, acusando-o de atentar contra o superior interesse da criança. Ao mesmo tempo, a SIC garantia num comunicado estar a cumprir “a lei aplicável” e ter recolhido “as necessárias autorizações” para filmar. O canal aludia ainda ao sucesso alcançado pelo programa em “países onde os padrões de proteção dos direitos dos menores não se revelam menos exigentes do que os existentes em Portugal”, referindo que “a experiência acumulada tem demonstrado que o Super Nanny não gera efeitos negativos ou de censura em ambiente escolar ou social”.

Fonte:
www.expresso.sapo.pt