Publicado em: ter, ago 28th, 2018

Transtorno de apego reativo

A exposição a uma situação estressante e traumática pode gerar o transtorno conhecido como apego reativo. Dependendo do contexto o sofrimento psicológico pode variar. Algumas pessoas podem apresentar sintomas de ansiedade e medo, outras podem mostrar sintomas de raiva, agressividade, anedonia e disforia. Durante a infância a criança precisa de cuidados, porém a ausência de cuidados adequados, ou seja, a negligência social pode acarretar para o desenvolvimento deste transtorno.

A perda da capacidade de sentir qualquer tipo de prazer, uma mudança repentina e transitória do estado de ânimo, tais como sentimentos de tristeza, pena, angustia e comportamento retraído são sinais e sintomas do transtorno de apego reativo.

A relação da criança com o cuidador adulto é de extrema dificuldade, ela apresenta comportamentos e sentimentos retraídos, inibidos em direção ao outro. O sofrimento emocional e social é consistente. Geralmente a criança apresenta afeto negativo, tristeza, irritabilidade. A negligência aos cuidados básicos, a constante mudança de cuidadores na criação impedem a formação de vínculos estáveis, e seletivos. Essa perturbação social e emocional ocorre entre 9 meses e 5 anos de idade. O transtorno de apego reativo pode ser persistente se estiver presente há mais de 12 meses ou grave se todos os sintomas são exibidos pela criança e manifestados em níveis elevados.

Comportamentos de vínculos extremamente inadequados no qual a criança não recorre ao seu cuidador para obter carinho, proteção e a ausência de cuidados emocionais básicos são características diagnósticas do transtorno. Crianças com o transtorno de apego reativo têm grandes dificuldades em expressar sentimentos positivos durante interações com cuidadores no cotidiano. Além disso, há um comprometimento na regulação de suas emoções. Comumente exprimem sentimentos negativos de tristeza, irritabilidade e medo que não são facilmente explicados. Para o diagnóstico a criança precisa ter idade mínima de 9 meses.

Atraso no desenvolvimento, como a linguagem e cognição e negligência grave, por exemplo, maus tratos e desnutrição são características associadas que apoiam o diagnóstico.

A prevalência é desconhecida, mas é relativamente raro em contexto clinico. Em populações onde crianças são negligenciadas gravemente o transtorno é incomum ocorrendo em menos de 10%.

Situações de ausência de cuidados adequados na infância são frequentes nos primeiros anos de vida. A faixa etária entre 9 meses e 5 anos de idade, a negligência de apego aos comportamentos emocionais são evidentes. O transtorno pode persistir por muitos anos se não for tratado e recuperado por meio de ambientes de cuidados. Em criança mais velha não está claro se o transtorno de apego reativo acontece por isso o diagnóstico deve ser feito com cautela.

O ambiente é o único fator de risco para o transtorno e o prognóstico depende da qualidade do ambiente e cuidados.

A cultura é uma questão diagnóstica que deve ser levada em conta, porém é preciso ter cautela ao realizar o diagnóstico se o apego não foi estudado nessa cultura.

As relações das crianças com amigos e adultos são prejudicadas de maneira significativa e associa se a um prejuízo funcional em vários aspectos da primeira infância.

Atrasos cognitivos, de linguagem, estereotipias e negligência social coincidem com o transtorno de apego reativo. Ademais, sinais e sintomas de desnutrição grave e depressão podem ocorrer de forma concomitante com o transtorno.

Referência:
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – (DSMV)


Artigo escrito pela Psicóloga:
Priscila Aguiar
CRP:08/25612
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