Publicado em: seg, jan 29th, 2018

Você sabe o que é Misofonia ?

Trata-se de uma das condições que implicam baixa tolerância ao som, em conjunto com a hiperacusia e a fonofobia. Nas pessoas que sofrem de misofonia o corpo reage de certo modo quando exposto a determinados estímulos sonoros.

A palavra misofonia foi cunhada pelos médios Pawel Jastreboff e Margaret Jastreboff nos anos 2000. Esse termo deriva do grego “misos”, que significa aversão, e “foné”, que significa som. Desse modo, a misofonia também pode ser definida como “sensibilidade seletiva ao som”.

A misofonia é um transtorno psicológico?

Há quem argumente que a misofonia não é um transtorno psicológico, não é uma fobia. Seria o caso então de uma condição neurológica. Esse transtorno neurológico provavelmente está localizado em determinadas estruturas do sistema nervoso central.

Da onde exatamente surge essa reação tão visceral ainda é uma incógnita. Poderia ter algo a ver com um dano no córtex pré-frontal medial, similar ao que produz uma outra condição médica chamada tinnitus. O tinnitus é um timbre fantasma, ou um outro ruído no ouvido. É uma percepção comumente causada pelas células ciliadas localizadas na cóclea do ouvido.

Sintomas da misofonia

As pessoas que sofrem desse transtorno ou doença sentem mal-estar, raiva, ira, pânico, temor… Podem inclusive chegar a imaginar atacar a pessoa ou coisa que produz os sons. Estes podem ser sons bastante comuns e normais como os produzidos ao comer, beber, sugar, respirar, tossir, etc.

Essas pessoas também podem chegar a sentir incômodos por outros sons repetitivos, como mascar chiclete, estourar bolas com ele, o estalar dos ossos, etc. Os diagnosticados com a doença manifestam ansiedade e condutas para evitar as pessoas que produzem os barulhos. Em alguns casos muito graves, a pessoa pode se tornar tão intolerante que acaba apresentando comportamentos violentos para com o objeto, indivíduo ou animal envolvido.

Pode se desenvolver então uma verdadeira obsessão em relação aos sons.
A hipersensibilidade, desse modo, estende-se, e surge uma intolerância até às pessoas ou situações em que os barulhos estarão presentes.

Problemas psicológicos que se derivam da misofonia

As pessoas que sofrem de misofonia podem desenvolver graves problemas a nível psicológico. Podem se tornar agressivas ou tomar decisões de evitar as situações que precedem ou motivam seu mal-estar. Desse modo, podem chegar a se isolar ou sentir uma profunda solidão.

Devido ao fato de existirem poucos recursos para tratar a doença, não há muita solução para a integração social. A única possibilidade disponível é usar tampões nos ouvidos, ou fones para ouvir música. Ou seja, com o objetivo de não escutar os sons que causam o mal-estar, não escutam mais nada. Não é a melhor solução mas corta o mal pela raiz.

Quão comum é a misofonia?

Desconhecemos a taxa de prevalência da misofonia na população. As pessoas que sofrem sugerem que é mais comum do que se imagina. Em pacientes com tinnitus, é reportada uma taxa de até 60% de diagnosticados.

Os problemas de audição são mais comuns do que pensamos. Muitas vezes existe um tratamento adequado, mas outras vezes é mais difícil realizar um tratamento efetivo, sobretudo quando o problema é a hipersensibilidade a certos sons. Isso se deve ao fato de que fatores físicos e psicológicos interagem para gerar esse tipo de problema.

Como se trata a misofonia?

Não há atualmente uma cura para a misofonia. Alguns pacientes já obtiveram alguma melhora com a terapia cognitivo-comportamental e a terapia de recapacitação do tinnitus. Em outros casos, essas intervenções não foram nada efetivas. Muitos médicos desconhecem a existência desse transtorno porque foi reconhecido faz pouco tempo. Isso implica que em muitos casos a condição não seja nem diagnosticada.

Existem alguns tratamentos psicológicos e hipnóticos que também trouxeram resultados eficazes para alguns pacientes. No entanto, em geral, não se pode afirmar que exista uma cura para a condição. Enquanto estão à espera de um tratamento mais adequado e universal, as pessoas afetadas seguem condenadas a viver em um estado de ansiedade ou isolamento constante se optarem por evitar os sons que lhes são insuportáveis.

Fonte:
www.amenteemaravilhosa.com.br

Referências bibliográficas:
Herráiz C. (2005). Mecanismos fisiopatológicos en la génesis y cronificación del acúfeno. Acta Otorrinolaringol Esp 2005; 56(8):335-42.
Herráiz Puchol C, Hernández Calvín FJ. (2002) Acúfenos: actualización. Barcelona: Ars Médica.